sábado, 18 de dezembro de 2010

O pôr-do-sol hoje estava lindo. Devias ter estado lá para ver.
Lembras-te quando falávamos do pôr-do-sol e do cheiro da maresia como se fosse a única coisa que nos unisse? Hoje devias ter estado lá para voltarmos aos velhos tempos em que pelo menos algo nos unia.
Devias ter estado lá para me aqueceres com as tuas palavras como dantes.
Já não há mais pôr-do-sol e no agora já não sinto a tua presença. alguém te roubou de mim, porque na verdade é a esse alguém que pertences.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

dezanove em vinte valores .


à noite , quando estou deitada nesta cama , sozinha , tenho medo .

tenho medo que hoje quando passei por ti , tivesse sido a última vez . no momento não sorri para ti e agora tenho medo . essa tua forma de amar , tão descomprometida , já me chegou mas agora sabe-me a pouco porque hoje pode ter sido a última vez e eu não te sorri .


amo-te em segredo para comigo própria e isso dói-me , custa-me a pele seca da minha cara .


tenho medo porque esse teu sorriso , eu sei que não vai ser eterno , mas apenas o imagino assim , a sorrir .


desculpa .




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

insónias .


acho que não me lembro dos tempos em que ela era realmente feliz, se é que existiram.

não me lembro de acordar dois dias seguidos e ver um sorriso sincero naquela cara de funeral. tentei, eu tentei realmente ver um fio de felicidade nela, no qual me pudesse segurar .

mas não me lembro, não me lembro de ver aqueles olhos cor de aveia de outra forma senão desta, tristes e melancólicos, não me lembro da última vez que senti aqueles lábios na minha face.

não me lembro de ser eu filha e ela mãe.

hoje a palavra mãe já nao me diz nada, fez-me esquecer o seu verdadeiro significado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

não consigo dormir com esta ferida.
tornei-me repetitiva. tornei-me pequena, uma vez na vida. hoje precisava do teu abraço, só para ter a certeza que ainda sinto.
mudei os lençóis da cama. não resultou em nada.
mudei de cama. também não resultou em nada.
rendi-me. deitei-me na cama, mesmo que o teu cheiro permaneça lá, mesmo que a tua imagem permaneça lá, mesmo que tu permaneças lá.
deitei-me na cama, mas não tive coragem de fechar os olhos, tenho receio que me assaltes o sono.
hoje, tornei-me humana.


sim, é uma merda.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

500
esta viagem já foi mais monótona mas também já foi mais agradável. quando aqui entrei sabia os riscos que corria e o quanto me iria custar mas o mar e as lágrimas curam tudo.
tê-lo ali, tão perto mas tão longe. é crueldade. já ultrapassa o ódio e começo a achar que sonho acordada demasiadas vezes.
não a tinha a Ela nem a Ele ali, sentados ao meu lado mas tinha uma coisa adquirida recentemente e chegou-me para conter as lágrimas.
baixar os olhos assim, numa fracção de segundos custa-me, mas é o melhor, o apropriado.
só não sei se consigo continuar a fingir, que nada existe, que eu e ele não existimos, que nunca adormeci com as palavras dele.
talvez pegue fogo a tudo.
cabrão, amor o caralho.

domingo, 24 de outubro de 2010


. That Smile .
o teu cabelo já cresceu mais um bocadinho . hoje estás um ano mais velho . eu já tenho treze anos . continuas a amuar . o cheiro continua o mesmo . o sorriso continua o mesmo . continuas verde . continuas coisa .



parabéns a Ele .
(he's no more a person) .

Love,
maria .

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Hoje é dia 23 - disseste-me tu .


Tu, mulher de si mesma. corpo esbelto, cabelos com vontade própria, diria. escuros, fartos. sempre amarrados à força. quase deitados por cima desses olhos cor de mél. uma forma única. serviu para eu não os esquecer. roupas bem apreciadas à minha vista, julgadas pelas pessoas. repito, pessoas. umas mãos gesticuladas e unhas quadradas. a tua forma de falar única é agradável para os meus ouvidos. essa tua forma de falar apaixonada. entre os dedos, claro, um cigarro, lucky strike. uma caneta a rabiscar qualquer superfície. toda tu destrambulhada. lavajona. coisa. minha coisa. nossa coisa.

Qualquer coisa que altere a rotina não me agrada. sou um bocadinho autista.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

canta-me cantigas de fazer chorar .


Eu sei que não lhes podia exigir tudo, elas eram elas, sempre serão. Da mesma forma que também não lhes podia exigir a eles que me amassem. Muitos deles não poderiam cometer tal incesto.

É a vida, minha amiga, nem tudo é o conto de fadas que a outra idealizou.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

culpada, à espera da sentença.
cometi um erro, talvez o maior até hoje. não sei como, acho que não era bem o meu corpo. não era bem real na altura, talvez ainda não tivesse atingido totalmente a superfície da pele, até hoje.
hoje sim, é real. bastante, de mais até. é como a chuva lá fora, sei que é real, molha-me e basta.


já provei a sentença. não a levo a Ela nem a Ele comigo. talvez leve alguém que tenha interceptado a minha órbita. ou vá sozinha, porque sim. fui eu que errei quando achei que os contos de fadas acabavam todos com o "felizes para sempre".


Para Ela (na realidade).
Para Ele (em segredo).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Acho que não saber é a única hipótese neste momento.
Acho que esgotei todas as hipóteses de te amar se é que se pode dizer que amei. Na verdade talvez não saberia partilhar a cama contigo à noite, como aconchegar esse teu corpo, como partilhar os prazeres da carne contigo.
Na verdade acho que soube amar, nem que tenha sido apenas as tuas doces palavras ou fortes abraços.
E a culpa foi tua. por parte também d'Ela, embalaram-me nos teus braços.



o azul pode ser roxo, meu amor. basta acreditares.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010


sento-me nesta sala e relembro a imagem fragilizada que transparecia do meu corpo. e lembro-me do contraste, a olhos alheios, que era ter-te ao meu lado (por vezes em mim).

os corpos humanos que nos observavam atentamente descreviam na sua mente todos os pormenores evidentes dos nossos corpos apoiados um no outro. uma simples rapariga, ingénua (para quem ingénuo era), com uns longos cabelos, idênticos a fios de seda, prestes a quebrar-se sobre si mesmos, um rosto límpido e pacífico e uns olhos alarmantes; um rapaz, homem de si mesmo, cabelos fortes, escuros, talvez próximos de cor de ameixa, as suas mãos eram o pormenor que mais se evidenciava (pelo menos para mim), umas mãos corpulentas e calejadas mas quando sentiam a minha pele suave tornavam-se delicadas; uma carícia infindável.

um contraste de dois corpos, tão iguais. capazes de permanecer ali, naquela sala sem se aperceberem dos rumores alheios, olhos desconfiados e palavras cruéis que os rodeavam.

uma imagem contrastante petrificada ao canto da sala, éramos nós, meu amor ?

sábado, 11 de setembro de 2010

Cara a cara sem cara .

Meticulosamente pensada ao pormenor.
Abrange o meu pensamento e o de muitos mais. Deveras desejada. No extremo, odiada.
Eu já a consigo odiar, custa-me saber que é irreal.
Don't you ever come back.
Uma fantasia não me serve, falsas esperanças também não. A realidade teve o seu tempo.
Agora és uma miragem. Odeio miragens. Talvez também te odeie a ti.


With love,
Eu, real.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Mundo miúdinho [Parte III]

Gosto de acreditar que tudo isto não passou de um sonho (pesadelo).
Pertencente às lamúrias da noite.
Gosto de acreditar que um dia vão todos acordar,
Das mentes retrógadas que lhes foram incutidas.



[o fruto proibido é o mais apetecido].

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O homem que mais amo[ava] .

o sinal estava intermitente . o meu inconsciente sabia que este dia ia chegar . eu preferia fingir que nada tinha acontecido, até hoje . conseguiste desenterrar . grão a grão o buraco que já estava quase tapado por completo . nunca pensei que fosses tu a fazê-lo . lágrimas . palavras inconscientes . palavras mudas , receosas . gritos . berros .
hoje tudo se passou novamente como quando revemos um filme antigo , mas com um final diferente . sorrisos forçados para mais tarde caírem em lágrimas .



eras o homem que eu mais amava . não admito isto , não a ti .

terça-feira, 10 de agosto de 2010

comboio com destino a Itália .



Era uma vez uma menina que esperava
encontrar o dia na próxima paragem.



[tudo (se) parte sem aviso].

domingo, 1 de agosto de 2010

Sóbria .

Tenho uma borboleta da noite a viver no meu quarto à três dias. Talvez precise de sentir o calor dos corpos que por lá entram. O afecto, a serenidade, o prazer que todos eles partilham.
Eu preciso apenas de uma verdade e de uma certeza. A borboleta pode continuar no cimo da minha cabeça, não me incomoda.
É apenas mais um corpo perdido.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

verde, apenas verde .

Esta noite peguei no copo Verde que ja havia sido guardado. faltara-me a coragem até então. revi o teu reflexo. a minha vontade de te teres extinguido foi contrariada. ainda permanecias em mim. as tuas esperanças. as tuas promessas. as tuas carícias. os teus medos e receios. tu. nós os dois.




-You have stolen my heart-
afinal ela sempre tinha razão.

sábado, 26 de junho de 2010

Tenho acordado sem ti ao meu lado

meu amor .

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Ela e a Ele

Quero que saibas que não escrevi mais. amarrei as mãos. virei a cara. fechei os olhos, na esperança de que desaparecesses de vez. mas tu insististe em ficar, mais perto do que nunca. as tuas mãos enormes e calejadas envolveram o meu corpo com a mais doce delicadeza. Sai! Larga-me! cada vez mais perto, os teus lábios, estavam cada vez mais perto dos meus, consegui respirar o mesmo ar que tu durante segundos. consegui sentir o teu cabelo na minha face sardenta. abri os olhos e contra todas as probabilidades, desta vez estavas mesmo lá. mais perto do que nunca. mais sincero que nunca. assim, despido de preconceitos e eu a olhar-te..
(e ele mordeu-te o coração?)
a Ela
(tu mordeste-me o coração)
a Ele

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sim, tu.

estranha. esta sensação. ter a certeza de nada. de não saber tudo. de te querer e não te conhecer.
(meu amor)
estranha. esta sensação. de sonhar com o esboço do teu sorriso. de sonhar com o teu sorriso verdadeiro. que um dia seja meu.
(meu amor)
estranha. esta sensação. de sentir que te abandono quando me separo de ti.
(meu amor)
estranha. esta sensação. de querer mais do que uma troca de palavras que se atropelam sem saberem por onde ir. de querer falar contigo. de te dizer. a ti. tenho sentimentos.
(meu amor)
estranha. esta sensação. sentir a tua respiração no meu pescoço. a tua respiração ofegante. abraço-te. torna-se calma. e tu. também estás calmo.
(meu amor)
estranha. esta sensação. consigo sentir o teu odor. é diferente de todos os outros. agrada-me. quero ficar com ele retido em mim para sempre.
(meu amor)
estranha. esta sensação. de te chamar amor. a ti. eu a ti.
(meu amor)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Uma tarde sem ti

Um choro incessante nas ruas da tua cidade. um choro, a água com que sacias a tua sede permanente. bebes, sorris e bebes mais uma vez para mais tarde no calor da noite te gabares. a água em que me afogo para mais tarde me salvares, para conseguires salvar mais uma, só mais um.
Agora, um choro incessante, nas ruas desabitadas. é o teu. o de mais ninguém.