sexta-feira, 24 de setembro de 2010


sento-me nesta sala e relembro a imagem fragilizada que transparecia do meu corpo. e lembro-me do contraste, a olhos alheios, que era ter-te ao meu lado (por vezes em mim).

os corpos humanos que nos observavam atentamente descreviam na sua mente todos os pormenores evidentes dos nossos corpos apoiados um no outro. uma simples rapariga, ingénua (para quem ingénuo era), com uns longos cabelos, idênticos a fios de seda, prestes a quebrar-se sobre si mesmos, um rosto límpido e pacífico e uns olhos alarmantes; um rapaz, homem de si mesmo, cabelos fortes, escuros, talvez próximos de cor de ameixa, as suas mãos eram o pormenor que mais se evidenciava (pelo menos para mim), umas mãos corpulentas e calejadas mas quando sentiam a minha pele suave tornavam-se delicadas; uma carícia infindável.

um contraste de dois corpos, tão iguais. capazes de permanecer ali, naquela sala sem se aperceberem dos rumores alheios, olhos desconfiados e palavras cruéis que os rodeavam.

uma imagem contrastante petrificada ao canto da sala, éramos nós, meu amor ?

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